Antes de qualquer time, aos 16 anos eu entrei em Física na PUC Minas pra ser pesquisador. Um professor de física nuclear, o Dr. Zé Roberto, me puxou de lado e disse que eu tinha cara de empreendedor e desbravador, não de cientista de bancada, e que ia desperdiçar isso preso no laboratório. Aos 17 troquei pra engenharia. Foi um dos melhores conselhos que recebi.
Aos 20 e poucos anos, eu montava times de e-sports. Não tinha dinheiro pra comprar estrela. Então eu fazia o contrário: procurava o moleque que jogava muito num quarto bagunçado, que ninguém tinha visto ainda, e montava um time em volta dele.
Deu certo além da conta. Liderei mais de 35 pessoas, fiquei seis anos à frente do clube, cheguei ao topo do Dota 2 na América do Sul e ainda joguei, cheguei a disputar um mundial. Times que passaram por lá viraram a FURIA no Counter-Strike e foram campeões do CBLOL no League of Legends.
Mas o número de que mais me orgulho não está em troféu: são mais de 40 pessoas que ajudei a formar, de estagiários a posições sólidas em carreiras de verdade, e multicampeões formados no caminho. Gente é o resultado que dura.
Eu achava que era sobre o jogo. Não era. Era sobre achar potencial, montar time e brigar pelo processo todo dia, com pouco recurso. Depois vieram a engenharia de produção, o Lean Six Sigma e os times de growth, onde o instinto virou número: 103% da meta, ROI médio de 11,6x e mais de 2.937% de crescimento em geração de leads.
Hoje tem nome pra esse caminho. Na trilha técnica, o topo não é virar gerente, é virar um contribuidor individual de alto impacto, que pega o problema inteiro e entrega de ponta a ponta. É onde eu mais rendo, agora com a IA como alavanca.
Quando a IA chegou, muita gente perguntou "como eu programo isso?". Eu perguntei outra coisa: "que time eu monto com isso, e que problema eu resolvo?". Eu não virei programador. Virei alguém que orquestra IA pra entregar produto que funciona no mundo real.
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